O caçador de tesouros
O meu avô sempre dizia que o melhor da vida haveria de ser ainda um mistério e que o importante era seguir procurando. Estar vivo é procurar, explicava.
Quase usava lupas e binóculos, mapas e ferramentas de escavação, igual a um detetive cheio de trabalho e talentos. Tinha o ar de um caçador de tesouros e, de todo o modo, os seus olhos reluziam de uma riqueza profunda. Percebíamos isso no seu abraço. Eu dizia: dentro do abraço do avô. Porque ele se tornava uma casa inteira e acolhida. Abraçar assim, talvez porque sou magro e ainda pequeno, é para mim um mistério tremendo.
Era um detetive de interiores, queria dizer, inspecionava sobretudo sentimentos. Quando perguntei porquê, ele respondeu que só assim se fala verdadeiramente acerca da felicidade. Para estudar o coração das pessoas, é preciso um cuidado cirúrgico.
Estava constantemente a pedir-me que prestasse atenção. Se prestares atenção, vês corações e podes tirar medidas à felicidade. Como se houvesse uma fita métrica para isso.
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